A IMPORTÂNCIA DO PROCTOLOGISTA
Certo dia, os órgãos se reuniram para eleger a autoridade maior do corpo. Os órgãos nobres se candidataram imediatamente e cada um procurava convencer os outros de que era o melhor candidato. O cérebro disse: "Quero ser eleito o presidente do corpo, pois em mim reside a inteligência, a razão, o pensamento e o bom senso". O coração falou: "De fato, o cérebro raciocina, planeja e administra o corpo. Mas se eu não bombear sangue, ele não funciona nem pode governar nada". Por sua vez, os pulmões disseram: "Sem oxigênio, órgão nenhum do corpo sobrevive. O candidato ideal a presidente sou eu". Cada órgão apresentava-se como melhor candidato a gerir o corpo, culminando em uma disputa feroz, onde ninguém se entendia. E para piorar, os órgãos menores sequer foram ouvidos. Órgão nobre algum se lembrou do pâncreas, bexiga, supre-renais, próstata e demais órgãos menores.
Aí, de repente, o mais humilde dos órgãos tomou a palavra e lançou-se candidato ao governo do corpo. O espanto foi geral! Todos os órgãos, até os menores, protestaram contra a ousadia do mais inferior dos órgãos do corpo. "Não podemos aceitar ser governados por um órgão ao qual todos se referem com zombaria, sem respeito - fiofó, furico, finfa, bueiro, rosca, forévis, botão, c...". Unânimes e uníssonos, todos rejeitaram a candidatura do humilde e prestativo ânus, um dos mais dedicados servidores do corpo humano.
Humilhado, porém inconformado, o ânus falou: "Vejo que a rejeição a minha candidatura é absoluta - do maior ao menor. Órgão algum me aceita como maior comandante do corpo. Mas, o buraco é mais embaixo. Como vocês ainda não entenderam quem manda de fato no corpo, provarei que o rejeitado tem domínio sobre todos vocês". Recolheu-se sob vaias, enquanto os órgão nobres, com o apoio dos menores, continuavam discutindo e buscando um acordo.
No meio da conversa, os intestinos quiseram evacuar. Ao chegarem no reto, as fezes pararam, impedidas de irem além. O ânus estava em greve política e só passaria o que ele permitisse - nem um aliviante pum poderia ir além do reto - ordem irrevogável do porteiro do corpo. Os intestinos e os outros órgãos protestaram exigindo o direito de livre trânsito, mas o ânus bateu o pé: "Greve é greve!".
Nem o cérebro, com seu raciocínio, poder de persuasão e convencimento conseguiu vencer a resistência do furico abelhudo. De nada adiantou o coração usar ternura, jeitinho e amor para abrandar tamanha dureza. O ânus intransigente declarou: "Ou reconhecem a minha candidatura e me elegem, ou a grave continua". A confusão entre os órgãos só crescia. As tripas começaram a dar nó: Era eminente o perigo de diverticulite ou infecção intestinal. Aumentou o ritmo da respiração. O coração palpitava com taquicardia. Cada órgão apresentava um problema, cuja solução dependia exclusivamente do ânus ser eleito o presidente do corpo.
Porém os orgulhosos órgãos não aceitavam entregar o poder a um sujeito tão insignificante. Os incômodos só cresciam, sem solução à vista. Num ato de desespero, a colérica vesícula biliar explodiu contra o ânus, o cérebro apelou para o bom senso e o coração para a solidariedade. Os pulmões suspiraram inquietos, os ouvidos zumbiam e a pele estava com calafrios. O organismo todo virou um pandemônio, mas não tinha jeito. O ânus permanecia firme. Aí o coração , profundamente atormentado e magoado, os olhos cheios de lágrimas, os intestinos em revolução, os pulmões ofegantes e os outros órgãos entraram em pânico. Ajoelharam-se diante do pequeno e pouco vistoso órgão, suplicando-lhe misericórdia, na tentativa de fazer a paz voltar ao organismo. Mas o ânus não se comoveu e bateu firme o pé: "Quando me escolherem presidente do corpo, eu abro. Sem isto, não há acordo".
Extenuados, sem mais argumentos, vencidos pelo cansaço, Aconselhados pelo coração e sob o comando do cérebro, os órgãos tomaram a vexatória decisão: Reconhecer o comando de sua majestade, o ânus, sobre o corpo inteiro. Constrangidos, mas certos de que era a única solução sábia e viável, convocaram uma reunião extraordinária de todos os órgãos, com a presença do ânus, sob a presidência do cérebro, eleito porta-voz e intérprete dos seus pares. Decidiram: "Nós, maiores e menores órgãos, premidos e espremidos pelas evidências, reconhecendo a importância estratégica do senhor ânus sobre todo o corpo; reconhecendo que sem a participação dele o organismo não funciona direito; reconhecendo que ele é o nosso companheiro e irmão, cujo trabalho é de suma importância para o nosso sossego e bem estar; reconhecendo a sua artilharia e alto poder de fogo, e que o destino de todos está em boas mãos, resolvemos entregar as chaves do corpo ao bravo irmão, o ânus. Revoguem-se as disposições contrárias".
Assim, sob aplausos, o menor dos órgãos foi coroado rei e senhor de todo o corpo humano, por decisão unânime de seus pares. Assinada a ATA, o ânus tomou posse e até hoje manda no corpo humano.
É obvio que o ânus faz parte do sistema digestivo e é parte do intestino grosso, mas essa narrativa interessante é boa para nos lembrar que apesar de parecer insignificante, temos que tomar conta do "furico abelhudo" para evitar problemas sérios.
Extenuados, sem mais argumentos, vencidos pelo cansaço, Aconselhados pelo coração e sob o comando do cérebro, os órgãos tomaram a vexatória decisão: Reconhecer o comando de sua majestade, o ânus, sobre o corpo inteiro. Constrangidos, mas certos de que era a única solução sábia e viável, convocaram uma reunião extraordinária de todos os órgãos, com a presença do ânus, sob a presidência do cérebro, eleito porta-voz e intérprete dos seus pares. Decidiram: "Nós, maiores e menores órgãos, premidos e espremidos pelas evidências, reconhecendo a importância estratégica do senhor ânus sobre todo o corpo; reconhecendo que sem a participação dele o organismo não funciona direito; reconhecendo que ele é o nosso companheiro e irmão, cujo trabalho é de suma importância para o nosso sossego e bem estar; reconhecendo a sua artilharia e alto poder de fogo, e que o destino de todos está em boas mãos, resolvemos entregar as chaves do corpo ao bravo irmão, o ânus. Revoguem-se as disposições contrárias".
Assim, sob aplausos, o menor dos órgãos foi coroado rei e senhor de todo o corpo humano, por decisão unânime de seus pares. Assinada a ATA, o ânus tomou posse e até hoje manda no corpo humano.
É obvio que o ânus faz parte do sistema digestivo e é parte do intestino grosso, mas essa narrativa interessante é boa para nos lembrar que apesar de parecer insignificante, temos que tomar conta do "furico abelhudo" para evitar problemas sérios.
Abraços a todos.
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